Sopro de vida
- Revista Só Letrando

- 14 de ago. de 2024
- 1 min de leitura
Atualizado: 19 de ago. de 2024
Por Zaiza Souza Vaccarezza Miranda
e com as reviravoltas da vida,
voltei para o chão,
de onde eu nunca devia ter saído...
minha mente se perdeu de novo,
por conta de acontecimentos que não pude controlar,
vindos de pessoas que eu só queria ajudar,
mas que fizeram os meus tamboretes se despedaçarem;
perdi o rumo.
as rédeas da minha existência,
já não estão em minhas mãos a muito tempo,
e cada vez que uma pessoa diferente puxá-as para lugares díspares,
acabo novamente sem direção...
termino sendo levada pelo mar das indecisões alheias,
que não me dizem respeito,
e muito menos me interessam.
e esse recipiente da alma,
vai apodrecendo,
e perdendo a validade.
a mente que o acompanha veio doente...
com pensamentos de ascendência,
e de elevação da alma,
mas também com pensamentos de carnificina
e auto mutilação...
com pensamentos de libertação da carne,
mas não da alma;
perdida nas próprias ilusões,
e imersa na luxúria dos vivos.
a hipocrisia encarnada!
enquanto se deleitava com o banquete dos vivos,
seduzia os mortos,
e os ludibriavam a pensar que os lideraria
e que desejava estar à sua presença;
enquanto afagava a morte,
beijava a vida.
dançava com a perdição,
e banhava-se com a perversão.
enquanto se gabava de amar o sofrimento,
desejava a ortotanásia;
enquanto se vangloriava das possessões,
as temia...
e no fim do dia,
quando ela se encontrava sozinha,
chorava por ser assim.
seria ela doente?
ou desesperada por aceitação?



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