Sobre a literatura
- Revista Só Letrando

- 14 de ago. de 2024
- 2 min de leitura
Por Sofia Morelli de Lima
Quando eu era criança e meus pais me levavam à livraria, não imaginava que a sensação que eu obtinha dentro e fora daquele ambiente fosse permear até hoje. Os antigos escolhidos costumavam ser sobre ballet e vivências femininas; os novos escolhidos já são mais ecléticos: ora romance, ora história, fantasia ou política, poesia e clássicos. O conteúdo mudou, mas ainda me sinto a mesma garota ao deitar na cama e passar horas a fio vivenciando tudo o que as páginas e as palavras dentro delas têm a me oferecer. Me sinto a mesma no momento em que escolho a leitura perfeita, até o momento de devolvê-la à estante.
Já ouvi diversos comentários sobre meu hobby…
Outro livro? Você deve ser muito inteligente!
Desse jeito você não vai absorver nada…
…e na maioria das vezes não são capazes de descrever de fato o que é fazer parte desse mundo [literário]. Anos desenvolvendo a mesma habilidade e ainda não me considero literata; tenho tanto a conhecer ainda. Mas o lugar comum, de conforto e segurança, por outro lado, me é extremamente conhecido. A literatura me ensina a virar a página e mudar a minha história; me ensina a desenvolver o protagonismo na minha vida; me ensina a olhar e sentir o outro, por vezes com palavras, e outras, com a leitura do seu exterior.
Os livros se modificam, adquirem novas posições de importância na sociedade, mudam seus formatos e formatações, mas sempre realizam a mesma tarefa de nutrir o leitor com saberes de todas as maneiras. A literatura traz sempre a mesma forma de experimentação do objeto, e ainda assim a experiência com cada livro nunca é similar.
E, mesmo quando parecemos desistir
de tentar pôr em prática tamanha
paixão
Ela, nunca, de fato,
sai de nós
Nem sempre é confortável a ação de ler. Ultimamente, parece tão difícil esperar. Realizar tarefas que exigem tempo. Fazer aquilo que nos tira da zona de conforto e nos mostra nossos erros mais profundos, sob o ponto de vista da vítima, ou do agressor. A literatura acaba com o vitimismo e a ilusão. Se usada com sabedoria, entregando a alma à tarefa. Ler é se rebelar contra a rapidez contemporânea e a desinformação, e é um grito a favor da empatia e do slow living. E pode funcionar para qualquer um, desde que se encontre o livro correto.
Esse é um tributo sobre a literatura, e espero que o leitor, ao entrar em contato com a metalinguagem deste texto, também se inspire para adentrar o mundo literário.



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