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Cadeira

  • Foto do escritor: Revista Só Letrando
    Revista Só Letrando
  • 18 de dez. de 2022
  • 1 min de leitura

Por Rafaela Ávila Constant


Um dia como outro qualquer. Eu saía da escola quase meio-dia, e é como minha mãe brinca: o estudante que estuda à tarde chega em casa sempre pingando, mas o que estuda de manhã, chega fervendo. “Que calor!” eu exclamava, repetidas vezes, durante o caminho de volta para casa. Ainda assim, mesmo sob sol quente e incômodo, eu procurava pelo belo, porque ouvi uma influenciadora que nem lembro ao certo qual é agora falar em seu perfil no Instagram nos últimos dias que era isso que importava. Queria começar a fazer isso, a encontrar beleza no caminho e, por isso, eu caminhava e procurava. “Não é possível que eu não encontre nada para chamar de bonito”.


Então, avistei uma cadeira.


Parei em frente dela. Ela era interessante. Acinzentada, talvez por causa do tempo, dos pingos de chuva seguidos de sol escaldante que as tardes entregavam vez ou outra. Estava revestida com uma roupagem única e empoeirada. Era de madeira, tinha alguns descascados que eram azulados por baixo. Estava ali, parada.


Ficamos ali, eu e ela, ela e eu, nos admirando por alguns minutos. Pensei genuinamente em quantas pessoas passaram por ela e notaram esses detalhes. Em quantas outras só enxergam nela uma oportunidade de descanso.


Mas naquele momento, havia só nós e uma avenida barulhenta cheia de cores, cheiros e sons. Ela parecia me confessar que dentre todas pessoas que passaram, eu era a primeira que via beleza ali.


*Texto produzido durante a Oficina de Crônica realizada pelo Prof. Cristhiano Aguiar e pela Revista Só-Letrando no Mackenzie Day, dia 5 de novembro de 2022.


 
 
 

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