2026.1 | Castanho
- Revista Só Letrando

- 22 de fev.
- 1 min de leitura
Por Mariana Brassica

Faz alguns anos que seus olhos azuis me destruíram.
Eles me dizimaram, desprenderam minha mente da realidade.
Eu realmente me esqueci das nossas diferenças e pensei que suas ideias grotescas pudessem ser passageiras num mundo como o nosso.
Fui ensinada a odiar minhas convicções e meus diferentes em função de me igualar a uma trivialidade como você, e ainda tive que ouvir que “opinião com braço estendido é falar o que ninguém tem coragem”.
Hoje, existem olhos cor de mel que me amparam.
Olhos que me desprendem dos pesadelos e que me acolhem.
Acolhem o bastante para que eu simplesmente te odeie, mas não por ter me destruído, já que juntar cacos é fácil.
Acolhem para que eu destrua você e cada um que anda ao seu lado com tanta convicção de justiça divina.
Me dão coragem para que eu grite quando me marcarem como revolucionária.
Grito para que, quando meus iguais e diferentes gritarem por justiça humana, eu seja uma santa e lute em seus nomes.
Mesmo remendada.
Equipe e produção editorial
Professoras orientadoras Profa. Dra. Valéria Bússola Martins e Profa. Dra. Elaine Prado
Editora Isabelle Callegari Lopes
Revisão Alessandra Porfirio Assis de Lima e Yasmin Monastero Monastero Maure



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