2026.1 | Lágrimas
- Revista Só Letrando

- 22 de fev.
- 1 min de leitura
Por Zaiza Vacarezza

Chove? Nenhuma chuva cai…
Essa água que sinto escorrer em minha face
Viria ela d’onde
Se não dos céus
Sinto minha pele úmida
As maçãs molhadas
Mas os braços secos
Que estranheza que me causa
essa situação inusitada
Tento descobrir de onde vem esse líquido
Que me umedece a face
E aperta o meu peito
Nunca tive medo de chuva
Não entendo o que está a acontecer
Olho ao meu redor
Estou cercado de pessoas secas
O céu mais azul impossível
Não podendo se avistar nenhuma nuvem
Passo a mão pelo rosto
Acaricio meus traços
Tentando encontrar
o que estaria causando esse dilúvio
Tateio meus lábios
Estão frios e salgados
Estou tão longe da costa
Desconheço esse sabor
Subo lentamente os dedos
para minhas bochechas
Estão quentes, umedecidas, inundadas
Reconheço a textura
mas não a temperatura
Tateio meu nariz
Está aquecido e úmido
Sinto algo escorrer
Olho para cima procurando respostas
Outra gota
Muitas as seguem
Finalmente chego à altura dos olhos
E entendo...
Com a cabeça ainda levantada
Fecho os olhos com o auxílio dos dedos
Sinto sua forma
Sinto então algo áspero entre o líquido
Entendo... são pedaços da alma
Rio e compreendo minha situação
São lágrimas…
Equipe e produção editorial
Professoras orientadoras Profa. Dra. Valéria Bússola Martins e Profa. Dra. Elaine Prado
Editora Isabelle Callegari Lopes
Revisão Sofia Morelli de Lima



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