Terra da Garoa – setembro de 2024
- Revista Só Letrando

- 18 de fev. de 2025
- 1 min de leitura
Atualizado: 20 de fev. de 2025
Por Augusto Melchior

Certa manhã acordei,
mirei o céu.
Tudo era vermelho.
Eu vi a vida pegando fogo para pagar nossos pecados.
Naquela manhã abri a janela,
respirei fundo,
escureci por dentro.
Eu senti a morte escura dentro de meu corpo inteiro me impedindo o ar.
Com o peito pesado caminhei,
olhei as nuvens.
O céu estava branco.
Eu senti os olhos arderem com a luz ofuscante das árvores mortas.
Deitei-me sobre a terra fofa do cemitério,
encarei minha miséria e lembrei dos business men em seus prédios,
suspirando por seus ternos caros,
decretando a destruição de nossos pulmões por trocados,
protegidos da morte que queima.
Certa noite eu dormi
sobre a terra fofa do cemitério.
Naquela noite abri meus olhos.
Respirei fundo.
Gotas pretas da chuva que vinham do céu cobriam meu corpo com fuligem e cinzas e morte e nada. Assim me afoguei na garoa fria que queima.




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