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Quando veio

  • Foto do escritor: Revista Só Letrando
    Revista Só Letrando
  • 1 de jul. de 2022
  • 1 min de leitura

Por Fernanda Antônia Bernardes


Eu achei que quando viesse, eu teria tempo de me preparar.

Como quem sabe que vai chover e arma barraca, estoca comida.

Lava as roupas de frio, leva o guarda-chuva.


Mas quando me dei conta, eu estava lá,

descalça na grama molhada,

o cabelo pingando água do céu.


E o sol aparecia mesmo assim.

A grama era de um verde vivo e saudava a chuva que recebia.


E as flores,

as flores tinham as mesmas cores que você.


E eu, que havia esquecido o guarda-chuva,

nem sentia frio.


Era você que vinha, em um dia de verão.

Você era tão gentil.

Tão doce e tão quente.


Mas o mundo pouco entendia,

e gostava de cair aos pedaços.

Mas em volta, sempre em volta.

Nunca sobre nós.


E no meio do caos que se instalava,

em vez de surtar como outrora,

eu dava risada,

enquanto o céu chorava,

só porque você também ria.

 
 
 

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