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O sapo

  • Foto do escritor: Revista Só Letrando
    Revista Só Letrando
  • 14 de ago. de 2024
  • 2 min de leitura

Por Isabela Maciesis Martins


O sapo vivia no brejo, um lugar pouco idealizado, mas onde ele passava seu tempo confortavelmente. Um belo dia apareceu alguém, com intenções duvidosas e pouco gentis, e tomou o sapo. Uma mulher de meia idade cuja amargura se confundia com sua alma.

 

 A mulher, com 5 nomes na mão, colocou todos na boca do sapo e costurou-a, resmungando palavras que o sapo não compreendia. O animal ficou confuso, pois estava acostumado apenas a engolir moscas e outros insetos variados, mas não mágoas. Ainda mais a mágoa de terceiros. Ele, porém, nunca contestou ou tentou lutar, apenas aceitou os nomes dentro dele.

 

O tempo passou e o sapo sentiu uma ausência dentro de si. Fome? Vazio? Ele não soube. A frustração cresceu dentro dele, pois não podia coaxar, não tinha mais seus insetos variados. Não tinha nem mesmo seu brejo confortável. Tinha apenas a mágoa de alguém que não era ele, mas de alguém que tal mágoa pôs fim aos seus dias.

 

O sapo passou dois anos com aqueles nomes em sua boca, depois morreu. Não tinha brejo, não tinha voz, muito menos conforto. Tinha apenas os 5 nomes que lhe foram enfiados boca adentro. No fim de seus dias, o sapo, assim como a mulher de meia idade, desprezou cada pessoa cujo nome estava em sua boca, inserido num ciclo vicioso de raiva, juntamente a ela. Elas foram o motivo de sua morte.

 

O sapo estava errado. Quem o matou foi a mulher de meia idade, tão apegada ao passado, olhando para trás, que não enxergava um palmo além da sua cara. Um dia após a morte do sapo, a mulher foi ao brejo novamente, com intenções duvidosas e pouco gentis.

 
 
 

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