O circo
- Revista Só Letrando

- 8 de ago. de 2023
- 2 min de leitura
Por Beatriz Maldonado
Eu vi pessoas com os rostos pintados de branco, me pergunto se foram obrigadas a isso, já que para mim parecem estar agonizadas (talvez seja uma forma de tortura pouco conhecida), elas também usavam roupas largas e desajeitadas.
Olhei para cima e deparei-me com mais coisas estranhas. Dessa vez, seguravam ferros no alto, seus pés não alcançavam o chão. Eu supus que suas vidas corriam perigo e observar os movimentos que faziam no ar me causaram um espanto diferente, seguido logo por um transtorno incômodo e uma agonia em meu peito.
Procurei de todas as formas me esconder, mas havia um emaranhado de gente tão grande que era impossível avistar o esconderijo mais próximo. O som ensurdecedor, invadiu meus ouvidos e quase não conseguia ouvir meus próprios pensamentos, eu estava apavorado.
Ao longe, depois de um certo tempo, eu comecei a ouvir sons de animais, senti ondas frias, tão pesadas vindo sobre mim que com certeza eram derivadas do sofrimento daqueles animais enjaulados.
O espetáculo, para mim, era eterno e doloroso. Avistei armas pontiagudas e me lembro também de ver fogo. Havia muita gritaria ao meu redor.
Meu corpo começou a arder. Meu coração estava disparado e minha respiração completamente alterada. Apertei meus olhos com força o suficiente a ponto de começarem a ficarem doloridos. Eram luzes demais, gente demais, animais demais. O cheiro, o ambiente, era tudo muito sufocante.
Começaram a se aproximar de mim, todas aquelas pessoas estranhas, com rostos pintados. Usando perucas, roupas largas, máscaras. Segurando em ferros que pendiam do teto, outras usavam varetas para se equilibrar equilibrarem, e ainda, conforme se aproximavam eu escutava risos em tons malignos.
Ao final do show, minha mãe me perguntou:
- Filho, você gostou do circo?




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