Hipnose
- Revista Só Letrando

- 18 de fev. de 2025
- 1 min de leitura
Por Augusto Melchior

Naquele dia, ela olhou para o céu.
Hipnotizada, sabia que apenas ela podia ver a criatura.
Ela estava flutuando, toda garras e olhos e pelos,
toda escuridão esvoaçante no horizonte claro.
Uma multidão passava pela mulher.
Seus cabelos bagunçados lançados ao vento,
toda pele e toda ossos,
uma forma de pessoa que se separava da pura identidade do ser.
Que deixava a realidade.
Que cessava de existir.
E lá estava a criatura. Hipnotizada.
Encarando a mulher que não sabia onde estava nem o que era.
Então, ela abriu a boca e de sua garganta saiu um som surdo de voz em pânico:
o grito contido de gerações porvir.
Naquele dia, ela olhou para o céu
e a criatura hipnotizada conheceu o significado da morte.
Naquele dia, tudo isso aconteceu,
sem que ninguém tirasse os olhos do celular.




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