Heartstopper: A série que cura onde dói
- Revista Só Letrando

- 1 de jul. de 2022
- 2 min de leitura
Por Lívia Hina Komagome
Baseada nas graphic novels de Alice Oseman e lançada em abril pela Netflix, Heartstopper mostra que produções direcionadas à comunidade LGBTQIA+ podem ter tramas saudáveis e positivas. O roteiro, organizado em oito episódios, com duração entre 25 e 30 minutos cada, contempla temas importantes, como bullying, preconceito, homofobia, autoconhecimento e autoaceitação. Mesmo diante de questões tão profundas, consegue trazer uma história leve e doce.
A série conta a história de Charlie (Joe Locke), um aluno muito esforçado e gentil, mas bastante inseguro devido ao bullying que sofre desde que se assumiu gay, e Nick (Kit Connor), um aluno superpopular e querido por ser um excelente jogador de rúgbi. Quando os dois garotos passam a se sentar lado a lado toda manhã na escola, a amizade se desenvolve e eles ficam cada vez mais próximos. Charlie passa por várias dificuldades na adolescência, mas ele dispõe de um grupo de amigos com quem pode contar e é dessa forma que a trama mostra ao público como uma rede de apoio deve funcionar.
O grupo é composto por Tao (William Gao), seu melhor amigo superprotetor e ciumento; Elle (Yasmin Finney), uma garota transexual que estudava na escola para garotos e que agora frequenta o colégio vizinho só para meninas; e Isaac (Tobie Donovan), um garoto reservado que não tem tanto destaque na história.
Além desses personagens, também é contada a história de Tara (Corinna Brown) e Darcy (Kizzy Edgell), um casal sáfico que assume o relacionamento publicamente e lida, desde então, com as consequências. A forma com que elas encaram a situação mostra que, apesar de todas as dificuldades, há beleza em se amar em um mundo onde a heteronormatividade é predominante.
Diferente de boa parte das produções voltadas para o público LGBTQIA+, que se apoiam em finais infelizes e tragédias, Heartstopper consegue trazer para muitos espectadores a esperança de que a vida pode ser mais difícil quando se é diferente da maioria, mas ainda assim, gratificante de se viver. A série retrata as delícias de se descobrir, de se aceitar e, principalmente, de viver os amores do jeito que devem ser vividos, sem preocupações.
Para aqueles que procuram uma série acolhedora, Heartstopper é perfeita: a obra, dirigida por Euros Lyn, apresenta discussões relevantes e personagens jovens que lidam com elas de formas ponderadas e maduras, além de falar sobre autoestima, sobre lidar com as diferenças e sobre as vantagens de se abrir para novas vivências sem medo de ser feliz.




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