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Adaptação do Canto III de "Os Lusíadas" - Episódio Inês de Castro

  • Foto do escritor: Revista Só Letrando
    Revista Só Letrando
  • 19 de fev. de 2024
  • 3 min de leitura

Por Augusto Melchior, Carolina Armada Ciuccie e Carolina Rebustine Nalon Alves


Fragmento do acervo pessoal de Luís de Camões sob posse da Biblioteca Nacional de Portugal, escrito por Vasco da Gama, sobre a vitória lusitana na Batalha de Salado, que aconteceu no dia 28 de outubro de 1340.


…passada esta tão próspera vitória, mal chegara às Terras Portuguesas, Rei Afonso IV deparou-se com o triste caso, digno da memória nacional, de Inês de Castro, que depois de ser morta foi rainha.


A culpa da morte de Inês é inteiramente do Amor, Eros manifesto, o qual os corações humanos escravizam e dizem os mais conceituados poetas da Antiguidade, feroz Amor, que tua sede não se mitiga com meras lágrimas, porque queres banhar teus altares em sangue humano.


E, Inês! Tão linda e cálida, Inês, em tua juventude sossegada nas terras da Coimbra, às margens do Rio Mondego, fora intensamente dominada pelas breves felicidades do amor, chorando alegrias e suspirando o nome de Pedro, filho do glorioso Rei.


Pedro, príncipe inteiro de Inês, recusando todas as nobres damas, suas pretendentes, quando apartado dos olhos de sua amada, nunca dela se esquecia com lembranças que o corroía: de noite, em sonhos que mentiam; de dia, em pensamentos que voavam. Eram tudo memórias de alegria… 


Percebendo o estranho estado do príncipe, o Rei, atento à Corte, determina que se mate Inês por lhe tirar o filho que tem preso - mal sabia o Rei que não se ia de demonstrar piedade diante do “crime”, que acabou por consumar, levado pela insistência de seu Conselho de Estado.


Inês, com tristes vozes saídas só da mágoa e da saudade de seu Príncipe e Filhos, pensando nos órfãos que seriam, levantava os olhos para o céu cristalino (Os olhos, porque as mãos lhe estava atando um dos duros ministros rigorosos) e dizia ao cruel Rei ferino: 


     — Prefiro, então, que me jogue às criaturas selvagens, que já são cruéis por sua natureza, pois somente delas terei alguma chance de piedade, como já tiveram antes mães de Nino e irmãos de Roma! Se não tem medo e nem piedade de matar-me, pense ao menos em seus netos e como ficarão órfãos e sem amparo em minha ausência, já que te não move a culpa que não tenhas. Me matarás assim como fez com teus inimigos? Bem… Então faça o seguinte: jogue-me em meio aos tigres e leões para que eu tenha a oportunidade de buscar a misericórdia que entre peitos humanos não achei. 


        O rei, comovido pelo discurso das palavras que o magoam, cogitou por um momento desistir de sua decisão, mas seus conselheiros e alguns nobres não concordaram e, então, assim o fizeram. Não a perdoaram! Inês fez como uma ovelha mansa e pôs-se a oferecer em sacrifício.


        Então, cai Inês sob seus assassinos, manchando com sangue o colo de mármore, que um dia matou de amores aquele que a faria rainha e recebeu as lágrimas apaixonadas que seus olhos soltavam. Ó côncavos vales, que pudestes ouvir de sua boca, já fria, um quase suspiro que dizia: “Pedro”. Ela se referia ao seu Pedro, seu Príncipe Pedro.


        Agora, como uma bonina cortada antes do tempo, tal está, morta, a pálida donzela, secas do rosto as rosas. A branca e viva cor, com a doce vida. 


       Por fim, as filhas de Mondego choraram por tempos e tempos… Até que a dor se transformou em amor, um amor como o que teve Inês por muitos. As lágrimas, em consequência, se transformaram em uma fresca e pura fonte, fonte essa que alimenta belas flores num jardim onde as lágrimas são a água e o nome, Amores!


 
 
 

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