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  • Foto do escritor: Revista Só Letrando
    Revista Só Letrando
  • 15 de ago. de 2024
  • 3 min de leitura

Atualizado: 22 de ago. de 2024

Por Jaqueline Carvalho de Jesus Abreu Abrahão Ellis


Lembro como se fosse ontem, segundo semestre de 2020, pandemia, home office, incertezas, choro, angústia, devolvi meu “cafofo” em Botafogo-RJ, máscaras, álcool em gel, lavar as compras do mercado, shows on-line, conversas on-line com meu marido — na época amigo —  reuniões on-line. Ops, espera um pouco! Existe algo que sempre quis fazer. Lembrei de uma vontade antiga: seria possível sonhar ou acreditar no futuro no meio do caos? Embarquei na minha vontade antiga e fui! No meio do caos mesmo.


Dividi minha vontade com meus pais e minha irmã; nem preciso falar que me apoiaram. Dividi minha vontade, na época, com meu amigo João; nem preciso falar que ele me apoiou. E fui, apresentação de currículo, aprovação na segunda graduação tendo sido dada a largada. Meu Deus! Que encantador todas essas “letras”! 


Resolvi compartilhar com uma conhecida, sim, conhecida, pois eu a conheço de longe e ela me conhece de longe. Não sabe dos meus desejos, e eu não sei os dela. Ela não sabe das minhas vontades e eu não sei as dela, mas a minha empolgação era maior que qualquer afinidade. 


Lembro como se fosse, espera, deixa eu pegar na minha caixinha de coisas esquecidas. Um dia desses, lá no primeiro período da faculdade, compartilhei que estava cursando minha segunda graduação em Letras com essa conhecida: Ela “Em quê?” Eu “Em Letras!”. Pausa. Sem pestanejar, ela falou “Ah, Jaqueline, vai fazer alguma coisa que te dê dinheiro! ”. Eu,  sem saber o que dizer, sem saber que palavras usar, meio que me sentindo como alguém que tivesse acabado de cometer uma infração ou tendo sido pega no bafômetro, me “defendi” com tom de inocência: “Eu sempre quis cursar Letras”. E depois, enchi meu peito e cheia de orgulho e propriedade falei: “Meus pais são professores, meus tios são professores e tenho primos professores; sempre estive envolvida com a área da educação. Não é só pelo dinheiro”. Talvez, por essa educação que meus pais me deram, desviei o assunto e pela força de vontade que eles também me ensinaram, continuei a graduação. 


Como a poeira que o vento leva, essa história foi levada com o vento. Muitas coisas aconteceram nesta caminhada de quatro anos; boas e ruins, como é a vida. E, sem perceber, estava eu no sétimo período da faculdade. Entre conversas de trabalho dividi com um colega, nem sei bem o motivo, que eu estava cursando faculdade de Letras. Ele “Ah, agora faz sentido! Bem que percebi que você escreve bem os e-mails”. Eu ri, fiquei feliz e agradeci. Logo em seguida ele compartilhou comigo que o sonho dele era fazer Letras. Olha só, encontrei no meio do meu trabalho com números, lei, normas, minutas, notas fiscais, outro sonho igual ao meu!


Não pensei duas vezes. Comecei a falar, ou melhor, digitar como era fascinante, linda e também angustiante cursar uma segunda graduação em Letras. Ele falou da vontade dele, dos seus medos e da nossa vida corrida no trabalho. E eu revidei, como se quisesse conquistá-lo para o mundo das “Letras”, e ele falou: “Vou pensar”. Cada um seguiu nas suas tarefas e, às vezes, voltávamos a nos falar sobre demandas do trabalho. E assim o tempo foi passando.


Lembro como se fosse ontem, dezembro de 2023, aquela loucura de final de ano, em todos os sentidos. Um dia, meu colega de trabalho, aquele já apaixonado pelas Letras, me manda a seguinte mensagem: “BAUMMMMMMMMMMMMMM… antes de perguntar, posso dividir uma coisa legal que vou fazer? Em 2024 começarei meu curso de letras (imagem de um emoji feliz)! Acho que você deu aquele empurrão que faltava. ” Olha esse emoji! Tem como não falar que ele estava muito feliz?


Fiquei tão feliz com essa mensagem dele! Guardei não só na minha memória, mas printei e salvei em arquivo de extensão .pdf, pois sou moderna (rs). 


Agora, imagina, se eu nas minhas horas de cansaço, com diversos trabalhos para entregar na faculdade e com inúmeras demandas da minha profissão, enfim, “escutasse” aquela voz não me impulsionando em nada. Talvez eu não estivesse aqui, em 2023, para saber que incentivei uma pessoa a começar seu sonho. Talvez eu não estivesse aqui, em 2024, cada dia mais próxima da minha colação de grau. Talvez eu não estivesse aqui para sentir o gosto saboroso de realizar um sonho. Obrigada a todos e, em especial, a mim mesma que seguiu em frente.

 
 
 

2 comentários


Joaquim Abreu
Joaquim Abreu
20 de ago. de 2024

Parabéns minha filha você é talentosa, pra mim você nem precisa mostrar seu talento, eu sei da sua qualidade de desenvolvimento intelectual. É um prazer ter você como minha filha. Parabéns.

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Jaqueline Carvalho
Jaqueline Carvalho
20 de ago. de 2024
Respondendo a

Obrigada! Amo-te, Pai! 😘

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