2025.2 | Tique-taque
- Revista Só Letrando

- 11 de ago. de 2025
- 2 min de leitura
Por Alexander Oliveira

Eu sempre tive a sensação de que meu tempo estava acabando e eu precisava correr contra os ponteiros para ser alguma coisa - mesmo sem saber o quê.
Fiz de tudo um pouco. Estudei, escrevi, dancei, nadei, desenhei, cantei e pratiquei
vários esportes, me frustrando por falhar em cada coisa que me propunha a fazer, mas eu não podia parar, afinal, meu tempo estava acabando.
Então eu estudei mais, treinei e pratiquei mais e mais até a exaustão, mas nada nunca parecia certo e eu entrava em desespero, com medo do tempo acabar sem eu ter feito algo pelo qual eu poderia me orgulhar, me exibir.
Todos me pediam para pegar leve, tirar um tempo para descansar, mas eu não conseguia fazer isso naturalmente, então me levava ao extremo. Escondia minhas inseguranças e ansiedades até explodir, e, mesmo assim, parecia falhar inutilmente enquanto meu tempo ia se esgotando cada vez mais rápido, como se eu tentasse agarrar água corrente.
Hoje, após anos de muito esforço, o tempo se esticou. Os dias não são mais água, são terra; ainda escorrem, mas mais devagar e deixam sua marca. A busca pela perfeição se mostrou boba, e a popularidade desnecessária. Ainda assim, existe um
cansaço que me persegue, e, mesmo assim, parei de correr no círculo do relógio e aprendi a caminhar, a ouvir seu tique-taque e a respirar conforme seu ritmo.
Às vezes eu quero parar. Quero congelar o relógio para que eu possa fazer mais, talvez até ser mais. Do que adianta? O tempo não é meu amigo, nem meu inimigo.
Ele corre a todo vapor e eu acompanho suas voltas, ansiosamente esperando que, algum dia, ele diminua e a gente possa fazer as pazes.
Equipe e produção editorial
Professoras orientadoras Profa. Dra. Valéria Bússola Martins e Profa. Dra. Elaine Prado
Editora Isabelle Callegari Lopes
Revisão Camila Biancardi Faraldo e Yasmin Monastero Maure




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