2025.2 | bluebird
- Revista Só Letrando

- 11 de ago. de 2025
- 2 min de leitura
Por Zaiza Vaccarezza

o pássaro azul fugiu
e foi cantar melodias aos seus ouvidos
de início ele acreditou que você gostava
de sua cifra, sua voz
mas você somente balançava a cabeça
enquanto ele dava a vida na música
em algum momento você parou de o ouvir
e seguiu sua vida
sem lembrar do timbre da ave
e ele tristonho e decepcionado
voou de volta para sua gaiola
que estava vazia em meu peito
suas asas doíam
e suas cordas vocais estavam gastas
ele não tinha o mesmo brilho nos olhos de antes
os sacos aéreos esgotados
as penas murchas e esmorecidas
meu peito dói
e eu culpo o bendito pássaro azul
que buscava alguém para apreciar sua voz
culpo o maldito que o decepcionou
que partiu seu pequeno coração
que bate em meu tórax
sinto o peso de suas asas
sobre meus ombros
sinto a falta de ar que lhe acomete
sinto toda a dor que ele sente
por que ele foi caçar amores
perdidos pelo mundo
não poderia ele ter escolhido melhor?
tolo passarinho
tão bobo e inocente
quem há de amar uma ave
que só sabe cantar alto?
a todos os pulmões
com toda a força da alma
bobo de nós que acreditamos
que nossa melodia
há de tocar peitos alheios
tolice imensa de amar sem pedir para ser amado
maior ainda a vontade de ser amado
meu caro pássaro azul
guarde sua música para mim
espero que um dia a volte a cantar
suas notas altas e até desafinadas
são a trilha sonora do meu amar
e eu te amarei
como amam animais feridos
com pena e carinho
Equipe e produção editorial
Professoras orientadoras Profa. Dra. Valéria Bússola Martins e Profa. Dra. Elaine Prado
Editora Isabelle Callegari Lopes
Revisão Bruna Silva de Angelis e Sofia Lustosa de Oliveira da Silva




Continuarei na "tolice imensa de amar sem pedir para ser amado"? E agora? Espero o próximo poema desta autora.