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2026.2|SÍNTESE DA AUTODESTRUIÇÃO

Foto do escritor: Revista Só Letrando
Revista Só Letrando
14 de ago.
2 min de leitura

Por Mariana de Abreu Brassica

Eu disse sim mais uma vez, sendo que deveria ter saído correndo pelo menos uma vez na vida.

Talvez crescer seja perceber que a vida não é feita de novos desafios, mas daquilo  que a sua coluna não reclama, de cinco minutos a mais na cama.

O capitalismo criminalizou meu ócio a ponto de que o meu lazer precisa ser externo, os presentes, comprados, e a comida, “instagramável”.

Será que o amor é igual ao que assisti nos filmes ou ouvi nas músicas?

Eu sofri tanto assim na adolescência?

Eu deveria chorar por homens? Por mulheres? Eu deveria chorar por alguma coisa?

Não sei. Sempre falam sobre envelhecer. Mas é tão ruim assim envelhecer?

Eu gostava tanto dos meus avós, com rugas e tudo. Eles pareciam velhos, mas sorriam. É tão ruim ver a vida passar?

Eu vejo tudo passar o tempo todo, sabe? Há carros e pessoas vindo e indo a toda hora. Inclusive, todo mundo vai embora uma hora.

Todo mundo vai para a rua, para o trabalho, para o metrô, para a escola, para o chão, para a padaria, para o cemitério, para o abraço, embora. Todo mundo está indo para algum lugar o tempo todo.

Eu deveria estar indo também. Mas para onde eu deveria ir? Eu realmente quero ir a algum lugar?

Acho que vou embora também. Mas não quero ir com os outros.

Onde os humanos ainda não foram?

Acho que eu só vou.

Não quero ser igual a todo mundo.

Eu vou para um sonho com aquilo que amo, mesmo sem saber o que é o amor.

Vou sonhar o impossível do agora e o tabu do passado.

Que os liberais me perdoem.

Meus pensamentos não valem dinheiro para existir.

E o que não dá dinheiro deveria sumir, certo?


Equipe e produção editorial

Professoras orientadoras Profa. Dra. Ana Lúcia Trevisan e Profa. Dra. Elaine Prado

Editores Henrique Silva Santos e João Vítor Tortosa Rodrigues Alves

Revisão Laura Mayer Rocha e Kelvyn Inacio Machado 


 
 
 

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